sexta-feira, janeiro 23, 2009

a cidade e o capital



Uma campanha deveras original invadiu a cidade de Lisboa. Desde as vacas da Praça de Espanha ao campo de golfe dos Restauradores.

Na verdade, a ideia vingou e todos nós reparámos na publicidade turística aos Açores. Contudo, e mais uma vez sem contestar a originalidade da campanha, esta é a terceira (ou quarta ou quinta) prova da venda dos espaços públicos e monumentos da cidade à fúria mercantil...

Já nos tínhamos habituado às árvores de Natal do "Millennium", mas agora já tivémos uma Avenida da Liberdade fechada ao trânsito para demonstrações da "Renault", a rotunda do Marquês inundada de balões da "TMN"... Até em Almada o Cristo-Rei recebeu um letreiro da "Samsung". Agora são as vacas, dia e noite, na Praça de Espanha (algo que é duvidoso no que respeita aos próprios direitos dos animais), uma cauda de baleia à frente do Duque de Saldanha e um relvado com um carrinho de golfe à volta do obelisco dos Restauradores...

Isto tudo porque, segundo o vereador Sá Fernandes, são 180 mil euros de taxas de ocupação que entram nos cofres da Câmara. Todos já se esqueceram que foi o actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa o pai da Lei do Financiamento das Autarquias - na altura longe de imaginar que viria a sofrer as suas consequências.

Na esteira de Ricardo Araújo Pereira, permitam-me que duvide se a minha rotina diária na cidade tem afectado a actividade promocional da capital (ou do capital...), que agora até se diz socialista.

Mas tenho mais duas dúvidas:
1.ª - o que diria a comunicação social e o Partido Socialista (com o seu amigo vereador Zé ex-BE) se fosse a direita a permitir estes tipos de campanhas publicitárias?
2.ª - será que ainda vamos ver no final do ano um barrete de Pai Natal na cabeça do respeitável Marquês?

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