sexta-feira, junho 24, 2005

guerra aos professores

Tiago de Melo Cartaxo

Já deu para entender que o tema da educação, bem ou mal, está a ser encarado pelo executivo socialista como uma prioridade. E é importante que o seja. No entanto, talvez o caminho possa não ser o mais adequado.
Tudo começou com as declarações de José Sócrates, quando visitava uma escola há cerca de dois meses, em que o PM sustentou ser necessário "compensar os furos e os feriados", por parte dos professores.
Ninguém comentou a parte dos "feriados". E ainda bem, pois poderia aquele discurso ter despoletado mais cedo o fim do estado de graça do governo que, pouco tempo antes, tinha tomado posse. Felizmente para Sócrates, e para a estabilidade, que os jornalistas não deram, ou não quiseram dar, importância àquele discurso. Isto porque seria absolutamente ilógico os professores compensarem feriados.
Mais tarde, veio Belmiro de Azevedo, arauto dos empresários afectos ao PS, apontar fortes críticas à classe docente. E, ultimamente, foi a vez do PR Jorge Sampaio escolher os bancários e professores como bodes expiatórios da crise.
Com esta atitude, arrisca-se o Governo Sócrates a perder o apoio de uma grande parte daqueles que votaram PS nas últimas eleições.
Felizmente que foram já hoje publicadas as listas de professores para o próximo ano lectivo, quinze dias antes do previsto, o que aliviará certamente a pressão que se tem sentido nos últimos tempos.
Por esclarecer ficam ainda as questões relativas aos novos programas e à reutilização de livros, discutidas por alguns políticos.

1 comentário:

Mum disse...

Seria muito bom que, ao se preocuparem com o insucesso escolar, analisassem a situação objectivamente e sem ligar ao "politicamente correcto", sem complexos anacrónicos de pseudo "repressão" ante 25 de Abril.A realidade é bem clara, só não vê quem não quer... O insucesso escolar deriva da massificação do ensino, de muitos alunos não terem iguais capacidades, nem vontade de estudar. Além do mais, deriva de um sistema educativo (e sociedade) laxista, sem rigor(por imposição do Ministério - novamente, o "politicamente correcto"... e as "Ciências" da Educação...)e sem disciplina. Disciplina não significa repressão nem traumas para as criancinhas...Disciplina significa empenho e um clima propício à aprendizagem, uma preparação consciente e realista do futuro profissional. Quando tivermos a coragem de enfrentar estes problemas e os monstros/fantasmas decorrentes dos anos de salazarismo, talvez consigamos, finalmente, evoluir como país...