segunda-feira, setembro 26, 2005

e se alguém fizesse uma chamada anónima...

Na passada sexta-feira, o Diário Económico publicou um artigo do jornalista Ricardo Costa, chamado "sanção democrática", em que aconselhava os portugueses a votar “contra” alguém que não se quer ver no poder, adicionando que "é eficaz, é simples e é um direito inalienável". E com razão. Podemos fazê-lo.
No entanto, quando há políticos dinâmicos, com visão e competência, as populações não querem saber se eles são ou não perseguidos, seja pela justiça, pelos próprios partidos ou mesmo pelos jornalistas.
E apesar de se falar em separação dos poderes do Estado, desde Montesquieu, grande parte da comunicação social, que cada vez mais se assume como um poder, continua a tentar interferir nos poderes, executivo, legislativo e judicial. É atribuição dos media informar. Já não o é dizer, por exemplo, que Oeiras, um concelho com elevada cultura, vai votar em quem não devia, porque este e aquele foram constituídos arguidos. E refiro-me a Oeiras como poderia falar de outro qualquer concelho.
É por serem cultos que os cidadãos que confiam no trabalho de determinados políticos continuarão a votar em quem fez um bom trabalho. Porque, sejam ou não corruptos, eles fazem, eles criam, eles trabalham. E isso muda e melhora a vida das pessoas. Quem é culto e informado não muda de opinião conforme o que dizem os repórteres. É inculto quem, por não entender nada de processo penal e não saber como em Portugal é fácil constituir alguém arguido, muda a orientação do voto porque aquele ou o outro disse que o candidato é corrupto.
Rogério Alves, o próprio bastonário da Ordem dos Advogados, admitiu ainda há pouco tempo que "basta uma simples chamada telefónica anónima" para que alguém seja constituído arguido.
Há, por isso, que manter a calma. Deixar à justiça o que é da justiça, e às populações o que lhes compete. Que se deixe funcionar as campanhas eleitorais e não se perca horas de informação com corruptíveis e incorruptíveis. Senão, qualquer dia caímos no mau gosto de remexer tanto o passado das pessoas e escrever em jornais, como já o fez Manuel Maria Carrilho, que este ou aquele foi toxicodependente.
Contudo, a sentença judicial é soberana. E tudo o que for provado contra qualquer candidato deve naturalmente proceder, sendo punido o responsável. Devemos, nesses casos, como cidadãos, ser os primeiros a defender as decisões dos juizes. Mas enquanto não houver sentenças judiciais, devemos esperar...
Aliás, se no despacho do tribunal de Felgueiras se lê que Fátima Felgueiras esteve "alegadamente" no Brasil e fugiu "aparentemente" à justiça, quando todos sabemos que não houve nenhuma foto-montagem - a Sra. Felgueiras esteve mesmo no Brasil -, porque não podem outros tribunais dizer que "alegadamente" ou "aparentemente" algum candidato cometeu determinado delito. Há que esperar pelas sentenças. Aí podemos formular as nossas opiniões.
Por agora, é tempo de falar dos programas, das propostas. Vamos conhecer os milhares de caracteres que Carrilho, como muitos outros candidatos, ainda está por apresentar. Vamos falar do agora e do amanhã. De factos passados tratam os tribunais. A comunicação informa, retrata o presente.
Desta vez, não sou candidato em nenhuma lista falo, portanto, de forma insuspeita. Nem sequer vou votar na mesma lista nos boletins de voto para os três diferentes órgãos (câmara municipal, assembleia municipal e assembleia de freguesia) da autarquia em que resido. Porque avalio a competência das pessoas.
Surge agora a dúvida: e se alguém, mal intencionado, como tanta outra gente, decidisse fazer uma chamada anónima contra algum político ou jornalista que critique os candidatos que foram constituídos arguidos...?

1 comentário:

Pedro Ribeiro de Sousa disse...

Vê este post:

http://controversamaresia.blogspot.com/2005/09/serei-eu-rio.html

O estilo não é o melhor, mas o conteúdo é certeiro, ainda que desafie o senso comum (mas não o bom senso).

Se vires no escritório tem cuidado que o blog tem uma musiquinha dos Meat Loaf!

Um abraço,

Pedro