terça-feira, julho 24, 2007

verão



O calor pede praia. E quando não há praia, há areia.

Na Bielorrússia, a 270km da capital Minsk, um grupo de artistas resolveu o problema de falta de praia e decidiu esculpir um crucifixo de areia, deitado no chão.



A alguma distância da Bielorrússia, no Sandfestival do Ruhr (Alemanha), outros artistas se divertem a esculpir também na areia. Aqui fica a conhecida cara da luta contra o terrorismo mundial (GWBush).



E, ao contrário do que sucede no Reino Unido, o tempo continua mesmo óptimo pelos lados da Europa central e de leste. Aqui, na região de Brandenburgo, o sol desponta num céu impressionantemente limpo.



Viajamos agora até ao outro lado do mundo, para conferir, com esta senhora, os valores da bolsa de Tóquio, que não param de oscilar. Para ela, como para nós, tudo aquilo parece japonês...



Não muito longe dali, na China, um vendedor de melões descansa depois de proteger a sua produção dos tufões e outros desastres naturais dos últimos dias, que têm posto à prova a agricultura local.
"Tudo corre bem no melhor dos mundos"
António Torrado

quinta-feira, julho 19, 2007

jogos panamericanos


corriere.it

Até ao próximo dia 29, estão em acção os maiores atletas do continente americano.

A XV edição dos Jogos Panamericanos, que se realiza desta vez na cidade do Rio de Janeiro sob o slogan "Viva essa energia", teve início no passado dia 13 e já deu, até agora, 35 medalhas de ouro aos EUA, 14 a Cuba e 12 ao Canadá. Os desportistas da casa (Brasil) ficam-se pelo 4.º lugar, com 11 ouros, 12 pratas e 21 bronzes.

Para o brasileiro Armando Negreiros, o esforço patente na foto valeu a pena para conquistar o 3.º lugar nos 400 metros livres.

quinta-feira, junho 28, 2007

hum...

"Eu não tenho qualquer orgulho em ser heterossexual. Não percebo porque é que as pessoas têm orgulho em ser homossexuais (...)."

Fernando Negrão à revista "Sábado" de 28/06/2007

terça-feira, junho 12, 2007

Sarko quer discutir Líbano



França deverá acolher, até ao fim do mês, uma conferência sobre o futuro do Líbano, que contará com a participação do movimento Hezbollah - algo que o The Jerusalem Post não vê com bons olhos.

O convite foi feito pelo novo ministro dos Negócios Estrangeiros, Bernard Kouchner, aos representantes de todos os quadrantes políticos e religiosos, com o objectivo de pôr fim à violência naquele país.

O Presidente francês receberá, entretanto no Eliseu, o líder da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, em 18 de Junho.

Está, pois, em curso a estratégia de Sarkozy de voltar a colocar a Europa no centro da política mundial, cumprindo o lema da campanha eleitoral: "ensemble tout devient possible".

Dois pontos para Nicolas!

vela em St.Tropez


corriere.it

55.ª edição da Giraglia Rolex Cup, organizada pelo Yacht Club Italiano, em colaboração com o Yacht Club de France e a Société Nautique de St.Tropez.

Condições meteorológicas excelentes. Mar calmo. Vento regular, entre os 15 e os 18 nós.

terça-feira, maio 22, 2007

e ele ficou!



Traian Basescu, com mandato suspenso pelo parlamento da Roménia, continuará em funções.

Foi este o resultado do referendo de 19 de Maio, em que participaram 48% dos eleitores romenos e mediante o qual 75% se pronunciaram pela não destituição do seu chefe de Estado.

O antigo presidente da Câmara de Bucareste e presidente da Roménia desde 2004 foi suspenso das suas funções, em 20 de Abril, depois do parlamento romeno ter aprovado um voto de impeachment, por aquele se ter alegadamente substituído ao poder judicial. A par da sua Ministra da Justiça, Basescu terá tentado convencer o Ministério Público a prosseguir com investigações em processos de corrupção, visando algumas importantes personalidades políticas, o que evidenciaria uma conduta inconstitucional de violação da separação de poderes.

Este resultado do referendo transformou-se numa derrota para a coligação antipresidencial, que tinha conduzido a operação de destituição de Basescu. E, de acordo com os apoiantes do presidente, foi uma vitória da luta contra a corrupção política e judicial, bem como contra os chamados "círculos de interesses económicos".

No entanto, veio já o jornal Cotidianul defender que, agora, Basescu só poderá escolher uma das seguintes três soluções: "Um governo minoritário, um governo de tecnocratas ou eleições antecipadas."

quinta-feira, maio 17, 2007

para quê tanto militante...?



Qualquer militante de um partido que escrevesse uma carta ao seu líder mereceria uma resposta, ainda que fosse uma "carta-standard" daquelas que já nos habituámos a receber quando ninguém quer saber de nós.

Ora, qualquer pessoa honrada, perante a carência de resposta à dita missiva, o melhor que teria a fazer seria desfiliar-se, pois este acto de ignorar um militante não é apenas falta de respeito ou educação. É mesmo falta de carácter.

Daí que Helena Roseta tenha toda a razão ao ter entregue o seu cartão de militante e apresentar-se a Lisboa como candidata independente.

E Sócrates, que não poderia escolher João Soares (que continuou até ao último milésimo de segundo a oferecer-se para abandonar Sintra e abraçar Lisboa), escolheu António Costa, o seu braço direito no Governo, e foi roubar um juiz ao Tribunal Constitucional - Rui Pereira - para substituir aquele.

Do outro lado, mais à direita, o outro líder decide-se por optar para Lisboa por um presidente de uma Câmara que tem sido um importante bastião do PSD. A resposta de Seara foi clara. Ninguém no seu perfeito juízo abandona uma Câmara onde sabe que voltará a ganhar, para se candidatar a Lisboa, como perdedor antecipado, e depois regressar a Sintra, numa brincadeira ao bom estilo de Soares (o júnior).

Mas Seara não é Soares (Jr.). Por isso, Marques Mendes voltou-se para o Eng. Ferreira do Amaral, que já perdera em 1997 contra o actual vereador socialista de Sintra, quando este era presidente em Lisboa...

Parece complicado? E repetitivo? Mas ainda há mais. Porque o Engenheiro (este, inscrito na Ordem e já habituado a perder em Lisboa) também não aceitou o convite, para espanto da Nação.

Contudo, continuava Mendes a teimar que não tinha ainda convidado alguém.

No fim de contas, Mendes acabou por ir buscar Fernando Negrão a Setúbal, porque o ex-director da PJ havia conseguido em 2005 um resultado histórico naquela Câmara (2.º lugar). Talvez esta escolha para Lisboa seja exactamente para tentar segurar um 2.º lugar, que é o melhor e único resultado que Mendes já percebeu que poderá almejar, na capital.

Ou seja, o PSD de Marques Mendes está em pior situação que Benfica e Sporting na Liga 2006/2007.

Feitas as contas, tanto PS e PSD somente conseguem desencantar candidatos ou putativos candidatos que integram já outros órgãos (Costa no Governo, Soares em Sintra, Seara em Sintra, Negrão em Setúbal, ou mesmo Ferreira do Amaral que seria um repetente em Lisboa).

Sinceramente, para quê ter tanto militante nos partidos? Para quê tantos militantes, se os escolhidos são sempre os mesmos e são estes mesmos os que são sempre chamados para "apagar" todo e qualquer fogo?

Mais uma vez, os partidos, que rejeitam a democraticidade interna e em que só mandam os líderes (ou quem está por detrás deles), dão mostras de que o nosso sistema político caminha a passos largos para o fim, na demanda da Quarta República, da terra do Preste João, ou talvez mesmo do Armagedão...

Admirem-se quando, pelo país inteiro, começarem as candidaturas independentes a crescer como cogumelos! E a ganhar eleições!!!

quinta-feira, maio 10, 2007

como combater o 'jet lag'

De acordo com os cientistas da NASA, por cada fuso horário que atravessarmos, o nosso corpo leva, pelo menos, um dia a recuperar.

Tim Brown, especialista em medicina do desporto há mais de 20 anos e habituado a acompanhar as competições da ASP (Association of Surfing Professionals), explicou à revista californiana TransWorld Surf (May 2007) quais os truques mais fáceis e rápidos para combater o jet lag.

1. evitar álcool ou café - "water is king here";
2. comer produtos frescos e naturais;
3. tomar suplementos, como multivitaminas;
4. fazer exercícios de respiração;
5. acertar o relógio para o fuso horário de destino.

Simples. Na próxima viagem transoceânica, é só experimentar para ver se resulta.

absolutamente fenomenal



Eça é que é Eça...

quarta-feira, maio 09, 2007

terça-feira, maio 08, 2007

dizem que sim

"... depois dos três impérios dos Assírios, Persas e Gregos, que já passaram, e depois do quarto, que ainda hoje dura, que é o romano, há-de haver um novo e melhor império que há-de ser o quinto e último"
P. António Vieira

ainda é um jardim



Mais uma vez, Alberto João ganha na Madeira. Não que alguém tivesse dúvidas... Contudo os mais de 60% do PSD-Madeira fizeram mossa na imagem do PS de (Eng.) Sócrates, que até nas Regiões Autónomas insiste na sua falsa obsessão pelo défice. Falsa porquê? Porque se o Governo de Sócrates estivesse mesmo interessado em acabar com o défice recorreria a receitas extraordinárias e a uma credível diminuição das despesas em propaganda e desperdício, no único Estado-membro da União cujo défice ultrapassa os 3% do PIB.

O problema é que quem se mete com Alberto João Jardim, raramente sai ileso.

É claro que Marques Mendes aproveitou a ocasião para colher louros de uma vitória que não é sua, mas unicamente de Jardim. Aliás, parece que Marques Mendes só abandonará a Comissão Política Nacional do PSD no momento em que descobrir que, consigo na liderança, o PSD só ganha mesmo eleições na Madeira. E ainda assim, terá alguma dificuldade em abandonar o cargo...

No entanto, apesar de aqui no continente o estado de graça do PS na opinião publicada parecer nunca mais ter fim (mesmo com Otas e diplomas) e o PSD de Marques Mendes dar últimos suspiros todas as semanas, a Madeira, serena, resiste e (até 2011) continuará a ser, literalmente, um Jardim.

o conservador inconformista



Nicolas Paul Stephane Sarkozy de Nagy-Bocsa.

Há quem lhe atribua características em muito semelhantes às de Napoleão. Político conservador, ambicioso, popular, mas que se assume publicamente como um modernista e um homem de rupturas.

Comprou guerras com os jovens extremistas a quem chamou de "escumalha". Por conseguinte, Paris tem vivido duas madrugadas a ferro e fogo, com explosões e manifestações contra o advogado que, nascido filho de um imigrante húngaro, chegou ao mais alto cargo político do país.

É o novo e vigésimo terceiro Presidente da República Francesa (depois das suas férias em Malta).

terça-feira, abril 17, 2007

águas mil?

"Em Abril, águas mil", é costume dizer-se.

No entanto, parece que o costume já não é o que era e a "verdade inconveniente" de Al Gore confirma-se.

O mundo a derreter...

E ao que parece, também algumas verdades [sobre diplomas] se começam a descongelar.

segunda-feira, abril 02, 2007

guerra de palavras

Nestes dias, surgiu na opinião publicada um novo significado para a palavra "otário", que tem sido relacionado com quem concorda com a obra do Aeroporto da Ota...

Otário?

Já agora, quem é apologista das Opas é "opário", não?

E quem gosta de comer ovos... É o quê?

antes Opas a Otas...



Apesar de continuar bem decidido e intransigente na sua forma de fazer política, o Governo Sócrates parece, nos últimos tempos, ter perdido a noção do bom senso e daquilo que é melhor para Portugal.

Ora tudo faz para dificultar a abertura da economia nacional, como aconteceu com a OPA da Sonae à PT, ora aposta num projecto de aeroporto em que já ninguém acredita - nem mesmo os próprios membros do Executivo. Não nos esqueçamos, aliás, que Campos e Cunha abandonou as Finanças em desacordo com o Aeroporto da Ota, despoletando a primeira crise deste - aparentemente - tão popular Governo.

E agora surgem novas críticas, de todos os lados. É os que dizem que o aeroporto vai ultrapassar os seus limites num curtíssimo período de tempo (entre 13 a 30 anos), é os que lembram que há mais pássaros na Ota do que na Portela ou em qualquer outra parte do país (o que causará distúrbios ao tráfego aéreo), é os que prevêem que o custo da obra triplique quando os engenheiros se aperceberem que vão construir um aeroporto internacional em cima de um pântano... e mais e mais e mais...

Mas, por outro lado, há quem diga que todos os que gritam "aqui d'El Rey" são meros velhos do Restelo, avessos ao progresso. E que também muita gente criticou o Centro Cultural de Belém mas agora ninguém imaginaria a Praça do Império sem a grande obra de Cavaco. [Apesar da obra, sabe-se lá porquê, continuar a ser subaproveitada pelas entidades que o gerem...]

Neste caso, o problema não é ser-se "avesso ao progresso". Parece-me mais que o grande problema seja a dúvida sobre o porquê de uma obra desta envergadura (quando o défice nacional é excessivo), naquele local (em "cascos de rolha", falando em bom Português), com as condições morfológicas do terreno que já conhecemos (no mínimo, pantanosas).

Por muito menos se critica ainda hoje o Aeroporto de Malpensa, em Milão, que foi contruído a uma distância muito menor da cidade do que a Ota e sem problemas de terreno. Chamaram-lhe um "elefante nel deserto".

Tal como a maioria dos portugueses, começo a ficar preocupado com esta novela. Sei que existirá, indubitavelmente, algum interesse em todo este projecto. Só que me parece que esse interesse não será certamente o interesse nacional.

Sinceramente, continuo a preferir Opas a Otas...

sexta-feira, março 30, 2007

o mostrengo

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,

E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:

«El-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,

Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»

E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,

E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme

E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»

Fernando Pessoa, Mensagem

terça-feira, março 27, 2007

corrupção? onde?

Ao fim de tanta controvérsia, chegou a hora da verdade. Afinal quantos portugueses foram condenados por corrupção, nos últimos tempos?

Os dados estatísticos são chocantes. Em mais de 10 milhões de portugueses, apenas 8 (sim, oito) estão actualmente presos por crimes de corrupção. E o mais curioso é que nenhum deles foi condenado por corrupção em actos políticos, mas por imigração ilegal.

Num país em que existem tantas suspeitas sobre os agentes políticos, esta é mais uma prova de que a justiça portuguesa continua a segurar uma balança desequilibrada e a espreitar sempre por debaixo da venda, quando o tema é corrupção. No entanto, a sua espada é sempre implacável com os mais fracos.

Foi nisto que deu a III República e o Estado Social de Direito de 1976.

quinta-feira, março 15, 2007

verdades com 140 anos



"ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz um ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?"

Eça de Queiroz, 1867 in "O distrito de Évora"

sexta-feira, março 02, 2007

blindada !!!



A proposta da Sonaecom para a desblindagem dos estatutos da Portugal Telecom foi chumbada. Para Henrique Granadeiro, "a OPA morreu".

Das duas mediáticas OPAs anunciadas em 2006 (Sonae-PT e BCP-BPI), esta é a primeira a ficar comprometida. Para a História fica o silêncio do Estado, que acabou por ser o responsável pela inviabilização da OPA e demonstrou que o 'monstro' continua a ter demasiado peso nos negócios, não deixando que o mercado funcione em liberdade.

Vai assim continuar a PT (i.e. o Estado) a nivelar os preços de mercado, ou seja, a manter os serviços de comunicação mais caros da Europa, como se de impostos indirectos se tratassem.

É esta mais uma prova da falta de competitividade da economia portuguesa, à espera que um dia chegue o investimento espanhol. Que novidade...

quinta-feira, março 01, 2007

direita, volver!



Enfim, Paulo Portas regressa em pleno. E proferiu as palavras que todo o país queria ouvir: "serei candidato à presidência do CDS." Resta saber quando e como.
O país espera uma direita renovada e Portas assume essa responsabilidade, tentando até antecipar-se ao PSD, que tem vindo a encolher cada vez mais no espectro político nacional. Aliás, as últimas sondagens têm demonstrado que, em eleições, Marques Mendes atingiria o pior resultado de sempre da social-democracia em Portugal, com 27% dos votos.
Paulo Portas falou sob a tónica da determinação, que - admite - vai caracterizar a sua maneira de fazer oposição. E, na verdade, determinação é o que há algum tempo desapareceu dos partidos à direita do PS, havendo até mesmo dúvidas sobre se, no próprio PS de Sócrates, ela exista ou se não passa de mero marketing governamental.
Espera-se agora a resposta dos líderes Ribeiro e Castro e Marques Mendes, que, ao que tudo indica, decidiram ignorar este "grito do Ipiranga" em versão tory e preparam-se para deixar, à direita, tudo na mesma.

isto está 'Lino', está...


Foto: http://www-ext.lnec.pt/

Mário Lino veio à comunicação social classificar como "infelizes" as palavras de Carlos Tavares sobre a possibilidade de o Estado não usar as suas golden shares na assembleia-geral da PT, adiantando que "o Governo não lhe pediu opinião [a Tavares], nem ele tem de a dar".

Esquece-se Mário Lino que Carlos Tavares é (só...) o Presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e, como tal, tem toda a liberdade - e conhecimento - para revelar a sua posição sobre OPAs e negócios de valores mobiliários. É esta mais uma prova de que ainda existe muita gente (incluindo governantes) que não sabe o que é liberalismo económico, pois a CMVM não trabalha para o Estado, mas para o mercado.

No entanto, a novela da OPA Sonae-PT não fica por aqui. Também Belmiro de Azevedo dispara em todos os sentidos, tendo mesmo chegado a dizer que não conhece Joe Berardo e a chamar-lhe "maluco", por este ter dito que a nova oferta da Sonae demonstra que o grupo empresarial da Maia está desesperado por dinheiro.

Pior que tudo isto, só mesmo a fraquíssima exibição de ontem do Sporting, que só não perdeu com os estudantes porque o benedetto São Liédson ainda lá vai resolvendo.

Talvez falte um Liédson à PT e um Belmiro ao Sporting...

chega março


Foto: www.br.geocities.com/katiajunqueira

Entra março, com o sol, a primavera, as flores, o amor e os passarinhos...

ou

Entra março logo a desembolsar €32,10 para o passe CP/METRO C.Sodré-Algés.

águas de março

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol

É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira

É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira

É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão

É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É uma ponta, é um ponto, é um pingo pingando

É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada

É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé

É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

(Tom Jobim)

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

ah, pois é

"O mundo é um livro, e quem fica sentado em casa lê somente uma página".
Santo Agostinho (354 d.C. - 430)

desenganem-se


"Do not try to live for ever. You will not succeed."
George Bernard Shaw, "The Doctor's Dilemma" (1911)

terça-feira, fevereiro 27, 2007

o 'monstro' dos pendentes

Numa cerimónia recheada de pompa, veio ontem o Senhor Ministro Alberto Costa garantir que o número de processos pendentes reduziu em 0,4% - ou seja, menos 6675 casos em fila de espera nos tribunais -, valor este que José Sócrates considerou "absolutamente extraordinário", considerando- o como a "primeira vitória sobre o monstro". (dois anos depois)

É preciso mostrar trabalho e esta é uma forma de responder às acusações que têm surgido na última semana, de todas as frentes, e que insistem que este Governo, para quem prometeu 150 mil postos de trabalho, pouco tem feito para reduzir o desemprego.

imperdível

"Por favor desculpe a minha mulher. Ela pode não ser muito bonita, não ter muito dinheiro, não ter qualquer espécie de talento e ser chata e estúpida, mas por outro lado ela... perdão, não consigo lembrar-me de mais nada".

É com esta deixa de John Cleese, dos Monty Python, que Jorge Fiel inicia a sua crónica no OJE (...de hoje), para caracterizar a credibilidade (ou falta dela) do projecto do governo socialista para o novo Aeroporto de Lisboa, na Ota.

Um artigo, definitivamente, a não perder.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

há ondas


O surfer australiano Paul Patterson desliza perto de Margaret River, no oeste da Austrália.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

'rookies' no euro


Foto: www.ljnovice.com

Já foi há mais de um mês que o país mais desenvolvido da antiga Jugoslávia entrou na zona Euro. Contudo, deste lado da Europa ainda não foram vistos exemplares de moeda eslovena.
Aqui fica, portanto, a reprodução das diferentes moedas de Euro cunhadas naquele Estado-membro, que aderiu à UE em 2004 e que foi conhecido como a Suíça da Jugoslávia.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

doces banhos


Ora aqui está uma doce e carinhosa estalada, dada por uma jovem japonesa ao seu namorado, com quem decidiu partilhar um banho de chocolate, num SPA da cidade de Hakone, a oeste de Tokyo. É o resultado das mais recentes teorias zen, que promovem a propagação pelo mundo inteiro de banhos à base de tudo e mais alguma coisa - desde o vinho (em Itália) ao chocolate, do qual este caso japonês é um excelente exemplo.
Dizem que é saudável...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

hoje já é amanhã

Acabou a campanha, acabou finalmente a discussão de manhã à noite, acabou finalmente a berraria até à exaustão... pelo menos enquanto o projecto de lei não sair da forja...
Felizmente que a noite de ontem também chegou ao fim com tranquilidade (ao bom estilo de Paulo Bento), fora alguns comentários de mau gosto e aproveitamentos vindos da esquerda, que se quis conotar, desde o início, com o SIM - e talvez o tenha conseguido.
E no fim, foi tudo para casa. Em paz.

despenalizar?
Tentou distinguir-se despenalização de liberalização. O SIM falava em despenalizar, enquanto o NÃO dizia que não queria liberalizar. E foi uma discussão intensa...
Ora, despenalizar é não punir alguém por cometer um crime, mas o crime existe e existe a condenação. Liberalizar é deixar ao livre-arbítrio de alguém agir de uma determinada conduta, ainda que haja limites. Assim, o que os portugueses votaram foi, juridicamente, uma liberalização. Agora, o senso comum pode chamar-lhe o que quiser...
Eu votei SIM, com dúvidas (como certamente a maioria dos eleitores), mas votei SIM, por que não entendo que possa haver uma condenação sem pena - uma mera condenação social - e isso sim era uma despenalização. A partir de agora, o aborto vai ser livre, até às 10 semanas de gestação.
Dúvida: a partir das 10 semanas e 1 milésimo de segundo, deve a mulher ser condenada e punida? Deve! Se há um limite, se há normas que prevêm penas, o direito deve funcionar. Aceitámos a interrupção voluntária da gravidez, mas deverão manter-se os limites. Não podemos aceitar que, daqui a poucos anos, se referende o aumento do limite para as 16, 20, 30, 40 semanas, até ao último dia antes do nascimento. O bom senso tem de ter limites.
Mas os juízes existem exactamente para realizar um exercício de ponderação. Se assim não fosse, os tribunais eram máquinas que subsumiam os casos concretos na factispecies legal e aplicavam a pena devida.

os partidos
Por mais uma vez, há que recordar que a vitória do SIM ou do NÃO nunca seria (ou não deveria ser) a vitória da esquerda ou da direita, mas sim a vitória de uma moral ou de outra, a vitória de uma perspectiva cívica sobre outra. Porque o referendo sobre o aborto, na sua génese, não incide sobre um problema político, mas sobre uma opção moral, sobre uma situação concreta socio-circunstancial.
Os partidos que se aproveitaram do SIM ou do NÃO, mais não fizeram do que confundir a politiquice com uma concepção moral de cada um. E tenho a certeza que perspectiva moral de muita gente que votou SIM é bem avessa à opção de abortar, mas aceita que alguém o faça por uma razão que, em princípio, será ponderada. O que não significa que não haja quem o decida fazer, de cabeça quente. Isso será um facto com o qual teremos de nos habituar a viver. E por mais difícil, desumano e cruel que nos possa parecer, foi essa a decisão popular.
Se alguém disse ontem e se alguém disser hoje ou amanhã que foi uma vitória da esquerda e uma derrota da direita, está redondamente enganado. Engana os outros e engana-se a si próprio. Embora pareça, ontem houve um referendo e não um acto eleitoral. A regionalização também perdeu em 1998, mas Guterres ganhou em 1999.
Todavia, apesar da esperada moderação, Marques Mendes demonstrou no seu discurso um pouco de desolação, o que prejudicou a imagem 'independente' do partido. Isto porque o PSD foi o único partido parlamentar a não confundir aborto com política. E bem.
Deste modo, não partilho da opinião daqueles que sustentam que a direita se está a afastar do Portugal moderno. Não. Não e não. A direita tem o seu lugar, na defesa da cultura, dos valores e dos princípios tradicionais do país. No entanto, num referendo como este, deveria actuar nos movimentos adequados e não nos partidos, em que menos gente acredita.
[Não é em vão que, em Itália, já não há partidos a ganhar eleições, pois adoptaram o nome de 'movimentos'.]

então e a abstenção?
Devido ao elevado nível de abstenção, o resultado do referendo não é juridicamente vinculativo. Contudo o Governo já tinha assumido um compromisso com os portugueses. Ao prever que a abstenção seria alta (porque os portugueses já não têm paciência para eleições), José Sócrates prometeu que iria respeitar o resultado do referendo, com ou sem abstenção. E quanto a este ponto, temos de ser sérios: se houve partidários do NÃO que não foram votar, foi porque tinham dúvidas, assim como os terá também havido do lado do SIM. Portanto, todos já esperavam qual seria a posição do Governo. Não houve frustração das expectativas. A maioria parlamentar respeitará a decisão da maioria dos votos expressos. Assim foi em 1998, assim será em 2007.

por cada aborto, um subsídio para quem tem filhos
Foi a proposta dos movimentos do NÃO. E assim como, em 1998, a ministra Maria de Belém propôs que os movimentos do NÃO colaborassem no planeamento familiar, agora é o NÃO que vem, com toda a razão e legitimidade, exigir, a par de uma política de apoio à prevenção, medidas de incentivo à natalidade, porque, além de Portugal estar a perder cada vez mais jovens, prevê-se que os casos de aborto provocado aumentem, como na maioria dos países que descriminalizaram a IVG.

hoje já é amanhã
Tínhamos já dito [6 de Fevereiro] que Portugal estava a atravessar uma 'pausa para café', que tinha parado umas semanas para discutir um único assunto e que na segunda-feira seguinte voltaria tudo ao mesmo. E quem viu o cartoon de Bandeira, hoje no Diário de Notícias, não pode estar mais de acordo com a figura que ali é caracterizada - uma senhora que já está farta de 'sins' e 'nãos' e que quer voltar aos 'pode ser', 'quem sabe' e 'talvez'.
Porque, antes do referendo, éramos realmente, e com prazer, o pacato país do 'talvez', a serena nação do 'mais ou menos'. Hoje voltámos a sê-lo, graças a Deus.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

e vamos lá votar...

(Cast)
It's time to play the music
It's time to light the lights
It's time to meet the Muppets
On the Muppet Show tonight


It's time to put on makeup
It's time to dress up right
It's time to raise the curtain
On the Muppet Show tonight


(Statler & Waldorf)

Why do we always come here
I guess we'll never know
It's quite a kind of torture
To have to watch this show

(Cast)

And now let's things started
Why don't we get things started
It's time to get things started
On the most sensational, inspirational, celebrational, Muppetational
This is what we call the Muppet Show !!!


[Gonzo strikes a gong]

autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa/Bernardo Soares (1931)

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

73 na mesma onda


Foto: surfcore.co.uk

A África do Sul bateu, no dia 17 de Setembro de 2006, o Guiness World Record de mais surfistas em cima da mesma onda. A comunidade de Cape Peninsula, junto à Cidade do Cabo, conseguiu concretizar o inimaginável feito de juntar 73 intrépidos praticantes na mesma onda, durante cinco segundos, em Muizenberg Corner.

Neste acontecimento participaram 349 wave-riders, que após muitas remadas, antes de ultrapassar a fasquia dos 70, atingiram os não menos surpreendentes números 64, 68 e 69, também por cinco segundos. Ou seja, mesmo que os 73 não valessem, o record seria batido de qualquer maneira, visto que o último most-surfers-standing-on-one-wave-world-record não ultrapassou os 44 surfistas, em Maio passado, na Irlanda.

É pena que as nossas praias sejam demasiado pequenas, senão, depois do maior bolo rei, a maior feijoada, o maior clube do mundo (e por aí fora...), cá estaria mais uma excelente ideia para um record à portuguesa.

a ver (ou rever)


Foto: www.cduniverse.com

Numa das minhas deambulações pela "fnac", descobri o filme de 1990 com que o realizador Whit Stillman se estreou e que dá pelo nome de "Metropolitan".

No decorrer da trama, recordei as primeiras longas-metragens de Woody Allen, quando escrevia e filmava no seu melhor, à volta de satíricos diálogos psicóticos. É aliás inacreditável como, de uma história nada complicada, Stillman consegui criar momentos de humor fantásticos e pensamentos filosóficos simples que dão realmente que pensar.

O argumento é simples. Conta-nos as férias de Natal de alguns jovens da aristocracia de Upper East Side de Nova Iorque, com os seus bailes de debutantes e encontros after-parties. Surge Tom, um outsider com ideias socialistas e filho de pais divorciados, que vai gerar a discórdia dentro do grupo.

De salientar a actuação Chris Eigeman (Nick), com os seus mordazes comentários, e a excelente Carolyn Farina (Audrey), apaixonada pelo protagonista Edward Clements (Tom), actor cuja performance deixa um pouco a desejar. Sem esquecer as fantásticas teorizações de Taylor Nichols (Charlie), ao estilo Woody Allen, sobre a so called "Urban Haute Bourgeoisie".

É um filme a que vale a pena assistir com atenção, especialmente porque está à venda sem legendas em idioma algum - nem mesmo em Inglês.

prioridades...


Foto: uk.news.yahoo.com

O presidente chinês Hu Jintao, que não recebeu o nosso primeiro-ministro José Sócrates na semana passada e mandou um vice-ministro fazê-lo, inicia hoje, na primeira pessoa, uma visita de dois dias a Moçambique, depois da entrada oficial daquele país africano de língua portuguesa na rota do turismo chinês. São as prioridades na política chinesa...

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

neve em nova iorque


Foto: www.reuters.com

Enquanto chove em Lisboa, do outro lado do Atlântico, os novaiorquinos passeiam-se debaixo da neve que cobre de branco a maior cidade dos Estados Unidos. Na imagem, um homem caminha com os seus cães em pleno Central Park.

il mondo di D'Annunzio

"Il mondo è la rappresentazione della sensibilità e del pensiero di pochi uomini superiori."
Gabrielle D'Annunzio, "Le vergini delle rocce"

slide & puff

A Tate Modern de Londres convida os seus visitantes a testar, gratuitamente, os escorregas do artista Carsten Höller, na Rutscheninstallation montada na Turbine Hall daquele museu.

A fila para os bilhetes "à borla" é longa, mas a emoção da experiência compensa o tempo de espera.

A descida mais interessante é, sem dúvida, a do escorrega que liga o quinto andar ao piso térreo, em que, numa viagem de cerca de oito segundos, o visitante acaba por aterrar num confortável colchão.

Mais curta mas não menos divertida é a descida do terceiro andar.

Há quem diga que a Tate se rendeu ao populismo de trocar a cultura pelo lazer. Críticas à parte, não deixa de ser uma ideia bem interessante de atrair visitantes para as demais exposições.

Para críticas e informação adicional: http://www.timeout.com/london/kids/events/311021/carsten_holler_slides.html

terça-feira, fevereiro 06, 2007

pelo buraco


Foto: www.ansa.it

Um agente da polícia do Estado mostra o furo feito por um grupo de assaltantes, que entraram numa agência do banco Monte dei Paschi di Siena, em Nápoles. Apesar da originalidade da ideia - o buraco foi feito na parede de um antigo cinema contíguo à filal do banco -, os ladrões não conseguiram levar mais do que 60 mil euros.

Os salteadores são já conhecidos como banda del buco (bando do buraco). Porque será?

uma pausa para café

Devo admitir que me agradou o artigo de Miguel Sousa Tavares sobre a já quase esquecida polémica do novo aeroporto da Ota. A verdade é que, com as discussões, aqui e ali, divididas entre o aborto e a IVG ou entre a liberalização e a despenalização, ninguém chega a acordo e prevê-se que o bate-boca só termine no próximo Domingo.

Na perspectiva do Governo, não poderia o referendo ter vindo em melhor altura, num momento em que se começavam a intensificar as greves e as manifestações. Desta forma, por algumas semanas, só se tem falado em aborto, feto, mulher, vida e escolha. Há que, por isso, dizer que o referendo resultou. Num país onde tudo estava mal, afinal - pelo menos por enquanto - o que está mesmo mal é o Código Penal.

Mas então e as portagens nas SCUT, a subida do imposto sobre os combustíveis, as taxas moderadoras na saúde, a decisão de taxar também os cidadãos com deficiências e as pensões dos idosos...? Então e a Ota? Já não valerá a pena discutir estes temas? Será que todos se esqueceram dos problemas de Portugal? Já quase até nem se ouve falar na Câmara de Lisboa...

O país fez, nestas semanas, uma espécie de coffee-break, que dá para descansar das questões essenciais, mas que lança a exaltação e o nervosismo entre os intervenientes.

Portugal vive 24 sobre 24 horas a pensar no aborto, para no dia 11 votar SIM ou NÃO, num supremo exercício de um direito político que é também um dever cívico, adormecer depois do anúncio dos resultados e da festa dos vencedores e, na seguda-feira, aperceber-se que afinal tudo continua triste e soturno.

Sinceramente, esta campanha recorda-me os dias do Euro 2004 e do Mundial 2006, em que os portugueses viviam emocionados, a pensar na final. No desfecho, voltaram todos a viver cabisbaixos e mal-dispostos.

Em suma, preparem-se, pois no dia 12 volta tudo ao mesmo.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

absolutely!!!

"The world is a stage, but the play is badly cast."
Oscar Wilde, "Lord Arthur Savile's Crime"

from China with love...


Foto: www.sic.sapo.pt

Era uma viagem que poderia ter assumido alguma importância estratégica na política económica nacional. No entanto, ainda antes de José Sócrates entrar no avião, já a China tinha anunciado a ausência do seu presidente Hu Jintao na recepção ao chefe de governo português. Na verdade, à chegada, José Sócrates teve de se contentar com o sorriso de um mero vice-ministro dos Negócios Estrangeiros.

E como se não bastasse a polémica prévia à viagem, a própria expedição a terras do oriente demonstrou, mais uma vez, que o ministro da Economia Manuel Pinho até pode ser um óptimo governante, mas só quando nada diz. Desde a ideia de copiar o slogan "Espanha marca" para "Portugal marca" - só porque tinha funcionado no país aqui do lado - aos orgulhosos elogios sobre os baixos salários portugueses...

Bastaria somente ter dito que Portugal tinha baixos custos de produção. O resto [os salários] deduzir-se-ia facilmente. Não valia a pena especificar. E pior: depois das críticas às suas infelizes declarações, não tentou redimir-se. Mesmo estando longe, não poupou palavras de 'carinho' aos sindicatos e à oposição, acusando-os de má fé política.

Nestas condições, em vez de ser Sócrates a brilhar, foi Pinho que o ofuscou, porém no mau sentido. E nem as explicações do chefe de governo ou mesmo as imagens do jogging matinal serviram para que a viagem de regresso fosse mais tranquila.

Contudo, a actual maioria rosa já demonstrou, por várias vezes, ser especialista em limpar as habituais 'calinadas' de um ou outro ministro com um pouco de propaganda - qual 'tira-nódoas'. E tudo me faz crer que a vitória do SIM no referendo de 11 de Fevereiro será aproveitada por José Sócrates como mais um triunfo do PS - o que seria a jogada mais suja da História política portuguesa.

Para bem da seriedade do Governo e da democracia, espero estar enganado.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

o perdão


Foto: www.prolococeriale.it

Há alguns dias, o cónego Tarcísio Alves, pároco de Castelo de Vide, garantiu ao Diário de Notícias que "Os cristãos que vão votar 'sim' no referendo serão alvo de excomunhão automática, a mais pesada das censuras eclesiásticas". O título do artigo do Diário de Notícias de 19 de Janeiro era mesmo "Quem votar 'sim' fica sem funeral religioso".

Ora, parece que atingimos o ponto máximo do fundamentalismo religioso medieval. Grave seria uma mulher votar SIM e dizer ao padre que tinha votado NÃO, para não ser excomungada.

No entanto, hoje, em conversa à TSF, o Padre Feytor Pinto deixou bem clara a sua posição no que toca à mulher que aborta. Apesar de ser um defensor do NÃO no referendo de dia 11, Feytor Pinto esclareceu que o Catolicismo é uma religião fundada no perdão e, como tal, perdoa os pecados dos seus seguidores. Quando um crente se confessa, ele fá-lo exactamente para conseguir o perdão. E se Cristo perdoou, também os padres devem perdoar.

Assim, por maioria de razão, quem perdoa uma mulher que interrompe a sua gravidez não pode recriminar (maxime excomungar) um católico que vote SIM no referendo. No mínimo, deve perdoá-lo.

E quanto às infelizes declarações de Tarcísio Alves... Que Deus o perdoe.

extraordinário!!!

O aborto ilegal é um negócio que produz dinheiro sujo, que não é tributado.
Maria José Morgado (à TSF, em 17 de Janeiro de 2007)

Esta magnífica reflexão só pode ter surgido de uma conversa com o Prof. Saldanha Sanches. Ou seja, a grande preocupação de Maria José Morgado é com o dinheiro em impostos que o nosso monstruoso Estado perde com os abortos clandestinos.

Mas afinal o problema não são as condições em que são efectuados os abortos clandestinos e as sequelas que podem deixar nas mulheres que interrompem a gravidez, sem apoio especializado? Não. Para Morgado, o problema é a fuga aos impostos das "clínicas" clandestinas.

Foi o argumento mais extraordinário que se ouviu até hoje!

quarta-feira, janeiro 17, 2007

sim ou não... e depois?


Foto: storage.canalblog.com

Portugal aguarda ansiosamente o dia 11 de Fevereiro, para dizer sim ou não, para saber se o aborto – ou interrupção voluntária da gravidez, como é agora mais delicado dizer – é descriminalizado ou não.

A querela perde-se entre os defensores da vida – valor supremo e inviolável – e os partidários do Sim, da liberdade de escolha, do máximo poder que a mulher detém sobre o seu corpo e sobre o feto que dentro dela cresce.

No entanto, esta contenda – e em especial este referendo – começa a transformar-se numa farsa, que já não incide sobre os problemas essenciais da opção de alterar a lei ou de a manter como está. Não se fala no dia seguinte ao referendo, ou seja, em como esta votação vai mudar a maneira de olhar para os nascituros e para as próprias mulheres que, com o apoio ou não dos seus companheiros, optem por abortar.

Discute-se se as mulheres que interrompam a gravidez devam ou não ser consideradas como criminosas, mas não se fala sobre se, na eventualidade de o Sim ganhar, funcionará (se existir) alguma assistência psicológica nas clínicas e hospitais.

Ao invés, perante uma vitória do Não, que alterações haverá ao actual regime? Ficará tudo na mesma, como ficou da última vez que houve um referendo? Haverá mudanças no regime do planeamento familiar?

Ao comentar a mais actual discórdia da sociedade portuguesa, não poderei deixar de assumir a minha posição e admitir que votarei Sim. Mas não participarei em campanhas, nem me intrometerei em discussões extremistas e fundamentalistas que não esclarecem ninguém e somente agudizam a ira entre os dois lados.

Devo até reconhecer que tem havido uma manipulação por parte dos meios de comunicação social e da opinião publicada, no sentido de convencer os portugueses a votar Sim, nomeadamente procurando demonstrar que o Sim é a escolha mais correcta num país civilizado – argumento com o qual não concordo.

Interromper voluntariamente a gravidez é uma opção tanto moral como circunstancial, que respeita a cada um. Não é de todo uma questão de civilização ou de desenvolvimento.

Votarei Sim, mas reconheço que a minha preocupação com o day after me despertará algumas reservas no momento em que assinalarei a cruz, pois a decisão da descriminalização do aborto acarreta a necessidade de uma panóplia de outras medidas que os governantes terão de levar a cabo, nos dias seguintes à alteração da lei.

Preocupo-me, particularmente, com a necessidade de uma estratégia de educação para a prevenção - porque retirar a vida a um ser vivo indefeso não é uma brincadeira -, a criação de um serviço de acompanhamento psicológico para as mulheres que decidam abortar e uma política de promoção da natalidade, com elevados subsídios para quem tenha mais filhos, como se está a verificar noutros países europeus, como é o caso da Alemanha. Até porque quanto menor for a natalidade, menor será a esperança de recuperação nos valor das contribuições dos cidadãos, o que se traduzirá no fim Estado.

Parece-me ser legítima esta minha inquietação relacionada com o período pós-referendo e com uma eventual inércia do Governo, já que um partido que defende inequivocamente o Sim (com cartazes e panfletos), que tem maioria absoluta no parlamento e que não teve coragem de fazer aprovar uma lei sobre o aborto, muito dificilmente adoptará alguma política para prevenir as relações sexuais entre pessoas que não se amem e não queiram ter um filho em comum ou não tenham possibilidades para o fazer, tal como acompanhar o estado psicológico das mulheres que abortem, visto já se ter provado que um aborto acarreta enormes sequelas psicológicas.

São sim inaceitáveis os montantes que se perdem com a campanha para este referendo, num momento em que já sabemos como vai terminar, mesmo que o resultado não seja vinculativo, isto é, se não votarem mais de 50% dos eleitores. Todas as sondagens – ainda que manipuladas ou não – apontam para o Sim e estas semanas têm, de facto, servido unicamente para criar um ensurdecedor alarido, que ainda não elucidou nem elucidará ninguém até ao dia 11 de Fevereiro.

De espantar é ainda a opção da maioria dos partidos com assento parlamentar (à excepção do PSD) de assumir uma posição neste referendo. Ora, a opção que os portugueses vão tomar no segundo Domingo do próximo mês deve assumir um carácter cívico e não político, tal como a decisão de uma mulher abortar – insisto, com o apoio ou não do seu companheiro (porque a decisão de abortar não poderá ser unicamente da mulher) – terá um cariz moral ou social-circunstancial, mas nunca político.

terça-feira, janeiro 09, 2007

novo ano


Foto: www.romaviva.com

O ano mudou, mas tudo parece continuar na mesma.

Para tirar dúvidas sobre se 2007 havia mesmo começado, o novegrausoeste decidiu esperar nove dias antes de desejar um Feliz Ano Novo a todos os internautas que por aqui passam.

Mesmo assim e apesar de persistirem dúvidas, aqui ficam os votos para que 2007 seja para todos melhor que 2006 (pelo menos)!!

terça-feira, dezembro 19, 2006

à espera do Natal


Foto: www.reuters.com

A poucos dias do Natal, enquanto alguns fiéis rezam, em Belém, na gruta da Igreja da Natividade, o novegrausoeste aproveita para desejar aos internautas os votos de uma feliz quadra natalícia.

terça-feira, novembro 28, 2006

macacada...


Foto: www.reuters.com

O novegrausoeste continua, com todo o orgulho, a apresentar acontecimentos interessantes que se realizam em outras longitudes. Desta vez, a escolha recai sobre o templo de Pra Prang Sam Yot, na região de Lopburi, a cerca de 150km a norte de Banguecoque, onde decorre o tradicional Monkey Buffet Festival.

As regras da festividade são simples: oferecer mais de 2.000kg de fruta, vegetais e... Coca-cola, de forma a agradecer aos simpáticos símios a enorme quantidade de turistas que têm atraído à cidade.

Só Portugal ainda não conseguiu descobrir o que fazer para chamar mais turistas...

É só uma ideia.


Foto: www.thaiphotoblogs.com

quarta-feira, novembro 22, 2006

luzes em Munique


Foto: www.afp.com

Por estes dias, Munique enche-se de orgulho ao receber a obra do escultor norte-americano Dan Flavin. Os trabalhos do artista nascido em 1933, a que o próprio chamou "icons", têm sido considerados por muitos como os melhores contributos para o reconhecimento do minimalismo como movimento artístico, nos anos 60.

Na foto, um visitante observa uma instalação luminosa elaborada por Flavin em 1973 e patente, até 04 de Março 2007, na exposição da Pinakothek der Moderne da capital bávara, sob o nome "Dan Flavin - Uma Retrospectiva".

Quem desejar conhecer a vida e obra completa de Flavin sempre pode visitar o pequeno museu que lhe foi dedicado, em Bridgehampton, Nova Iorque.

segunda-feira, novembro 13, 2006

flores no Vietname


Foto: Said Khan / www.afp.com

O Centro Nacional de Convenções de Hanoi, no Vietname, vai receber no próximo fim-de-semana, com um colorido arco de flores, o vértice dos 21 Estados que integram a Apec (Cooperação Económica da Ásia-Pacífico), que contará com a presença do presidente norte-americano George W. Bush.

Os olhos do mundo estarão, certamente, todos sobre este encontro, num momento em que se discute a transferência do centro da actividade económica mundial, durante séculos sediada na Europa e na East Coast norte-americana, para a chamada região do "Pacific rim".

sexta-feira, novembro 10, 2006

somewhere in Australia


Fonte: www.transworldsurf.com

" Last month senior photographer Tim Jones sent us an e-mail with some jpegs that nearly made us poop our pants. The images were from a session Jones bagged with Aussie groms Paul Morgan and Byron Bartlett getting humongous barrels at what looks like a mix between Teahupo’s and Pipeline. When he told us it was in Australia, we could hardly believe it.

As if the death pits don’t look scary enough, what the photos don’t show is a rocky headland that juts into the ocean right in front of the bowl. So if you don’t make the wave, there’s a good chance you’ll be banged up against the rocks. Morgan and Bartlett towed in (without straps) to a handful of death-defying bombs and, thankfully, made it out unscathed. Maybe it was Jones’ pre-session pep talk: “In the boat, I told them, ‘Okay, there’s no first aid out here. You guys are smart enough to know what waves to go on, but there’s no room for error.’”

The next obvious question is, “Where, exactly, is this beast?” We asked Tim if he was interested in telling us. “Nope, not really,” he says. “This is a wave that’ll never be crowded because it’s nearly impossible to paddle in to it, and it probably only works five or six times a year.” Besides, even if we told you, would you really want to drop in? "

TransWorld SURF, November edition

quarta-feira, novembro 08, 2006

felizardos


Foto: www.reuters.com

No "Wolong Giant Panda Research Center", na China, seis inocentes pandas bebés estendem-se em tapete, sem saber que são uns verdadeiros sortudos de uma espécie em extremo perigo de extinção.

segunda-feira, outubro 30, 2006

o "lulismo" continua


Foto: Ap Photo / Victor R. Caivano

A Lula sucede... Lula. O banho de multidão que recebeu o re-presidente brasileiro (assim diria a Floribella) em São Bernardo do Campo, na segunda volta das Presidenciais em terras de Vera Cruz, esclareceu as poucas dúvidas que poderiam ainda existir quanto à reconfirmação de Luiz Inácio Lula da Silva no cargo que já ocupava.

Apesar de uma campanha recheada de precalços, nem os escândalos que têm vindo a lume desde há um ano mancharam a vitória de ontem do torneiro mecânico mais famoso do mundo, nascido em Caetés, no Estado de Pernambuco.

O "mensalão" e as alegadas tentativas para denegrir a imagem de políticos da oposição foram vistos pelos mais de 120 milhões de votantes como mais um fait divers de um mandato que deixou muitos eleitores de esquerda desiludidos, mas que preferiram a recondução de Lula à estreia de Geraldo Alckmin (candidato do PSDB). O opositor de Lula errou, pois, ao não fazer uma campanha de segunda volta tão agressiva como a da primeira, que incidisse, principalmente, na resolução do desemprego, que é o problema que tem sempre mais preocupado os brasileiros. Do outro lado, o candidato do PT preferiu criticar os governos anteriores de Fernando Henrique Cardoso a realçar o seu próprio trabalho, o que pareceu favorecê-lo, visto Alckmin não ter sabido corresponder à experiência combativa de Lula da Silva.

Transpareceu assim, para a maioria dos brasileiros, a ideia de que o governo de Fernando Henrique Cardoso é que foi péssimo e que o do PT seria o mal menor. Seja isso ou não verdade, até se viu comentadores portugueses, nos meios de comunicação, a defender essa ideia. Como se FHC fosse ainda presidente e estivesse agora para sair do governo... Só que, a provar-se as acusações de corrupção que pairam sobre o PT, resta saber se Lula vai continuar a imputar as culpas à política de Fernando Henrique Cardozo.

No entanto, contra ventos e marés judiciais, com esta reeleição, o so called "lulismo" ganha relevância e começa a ser objecto de análise e discussão entre os interessados pela política. A realidade é que, num país em que é normal eleger presidentes provenientes da classe alta e com cursos superiores, Lula parece emergir, não tanto pelos seus ideais ou pela sua forma de fazer política - pois já demonstrou ser mais moderado do que aparentava ser até há quatro anos atrás -, mas fundamentalmente por ser um homem do povo. Ele é o verdadeiro estereótipo do brasileiro bonacheirão e bem disposto, que anda no meio do povo sem a gravata que, habitualmente, marca a distância entre o presidente e os eleitores.

Esta imagem que Lula não precisou de criar, por já ser uma característica intrínseca, vale-lhe milhões de votos, mesmo que o seu partido não cumpra as promessas eleitorais ou cometa erros graves, como os tão falados casos de corrupção. É que o recém reeleito presidente do Brasil tem algo que Geraldo Alckmin, por mais sério e competente que seja, não consegue ter, que é o carisma de um homem do povo. Não é, aliás, em vão que escolheu como slogan "Lula de novo, com a força do Povo". Nada mais piroso - diria um qualquer publicitário português, por mais experimentado em marketing político. Pois é, mas a verdade é que o piroso, às vezes, ganha eleições.

sexta-feira, outubro 20, 2006

buraco do ozono já é "record"


Foto: www.nasa.gov

O buraco do ozono chegou novamente ao tamanho máximo, no Pólo Sul. Nesta imagem de 24 de Setembro, captada pelo satélite Aura da Nasa, a área da camada empobrecida de ozono na atmosfera (em roxo e azul) atingiu os 27, 45 milhões de quilómetros quadrados, igualando o pouco invejável record de 9 de Setembro de 2000.

porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, outubro 17, 2006

todos à praia


Foto: Mark Baker, www.ap.org

A Bondi Beach (ou "bondai", como pronunciam os locais), em Sydney, no dia de Outubro mais quente de sempre (35 graus). O calor e os fortes ventos propagaram 300 incêndios no sul e no sudeste da Austrália e Tasmânia, onde esta época do ano equivale ao mês de Abril no hemisfério boreal. Águas mil...?

A não perder a revista Blue Travel deste mês, que, em anexo a uma aprofundada reportagem sobre cidade de Sydney, publica imagens muito atractivas da mais famosa praia da Austrália.

o senhor "Leviathan"


Foto: www.agenciafinanceira.iol.pt

O programa da RTP Prós e Contras, de ontem à noite (segunda-feira), foi mais uma lavagem de roupa suja entre o Estado central e as autarquias locais.

Tanto o presidente da ANMP, Fernando Ruas, como o Ministro da Administração Interna, António Costa, começaram bem o debate, apontando os seus pontos de vista e defendendo, respectivamente, o "não" e o "sim" à nova Lei das Finanças Locais.

No entanto, a discussão azedou quando os ânimos se exaltaram e António Costa recordou a famosa frase "corram-nos à pedrada", proferida há uns meses por Fernando Ruas. O "presidente dos autarcas" respondeu com a acusação de que o Governo envia para os jornais notícias já redigidas, para posterior publicação.

Como se viu, o nível foi descendo ao longo do programa, com os habituais comentários sobre a descredibilização dos autarcas e a diferença de legitimidade política entre o governo e o poder local. A presença de Saldanha Sanches mais contribuiu para a "lavagem de roupa suja" entre Estado central e autarquias.

O "senhor Estado", que tem conduzido uma guerra sem tréguas contra tudo o que não é Administração central, insistiu na tese de que os autarcas são corruptos, não cobram impostos e querem viver à custa do Governo, tendo mesmo chegado a admitir que o mal de Portugal, nos últimos 30 anos, foi o poder local.

Muito bem esteve José Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Ílhavo. Sempre cordato e cativante durante todo o programa, demonstrou conhecer bem a matéria e não entrou no capítulo das acusações e do ataque fácil. Rebateu a tese da corrupção autárquica de Saldanha Sanches, clarificando que para o Professor e fiscalista existe uma "Câmara Municipal de Portugal" onde todos são corruptos.

Em rigor, se os únicos incompetentes e corruptos fossem autarcas, Portugal não seria certamente o envergonhado país que consta sempre dos últimos lugares das listas europeias ou da OCDE, nem teria défice. As autarquias locais não são o problema nacional. Aliás, se o governo de Sócrates interioriza a tese de defesa do monstro "Leviathan", como poderá vir, em seguida, propor uma regionalização?

É esta mais uma prova de que, ultimamente, se tem governado ao sabor das notícias dos pasquins, que denunciam uns e outros autarcas, abordando os problemas do país pela rama...

segunda-feira, outubro 16, 2006

a apologia de Sócrates


Foto: www.pmcomm.com

O semanário Sol, de sábado passado, publicou a notícia de que um professor entregou aos seus alunos um discurso do primeiro-ministro José Sócrates, proferido aquando das conferências Novas Fronteiras, para que redigissem um resumo daquele texto.

Contudo, é verdadeiramente curioso que as críticas à atitude deste senhor professor tenham tão somente recaído sobre a questão de consistir num texto longo e complicado, sem que alguém tecesse sequer um comentário sobre o cariz da ideia do docente - fazer os alunos resumir um discurso do Senhor Primeiro-Ministro.

Pouco ou nada se disse acerca do tema do discurso, mas a circunstância reporta-nos claramente aos tempos do Estado Novo, em que se dava aos alunos os discursos do Senhor Presidente do Conselho, além de outros textos que elogiavam a sua obra enquanto goverante.

O mais assustador de tudo isto é que o tema foi relegado para uma página escondida do jornal e mais ninguém falou do assunto.

Nas páginas do Público, elogiou ontem (domingo) António Barreto a inteligência de Sócrates, por não ir ao fundo das questões e se limitar a tocar nos assuntos de forma superficial, para não criar inimigos. No entanto, parece que a própria comunicação social também pouco tem aprofundado os problemas que se passam em Portugal, preferindo dar início aos telejornais com discursos apoteóticos, em fundo rosa.

Disse-se que acabou a crise, comemorou-se quando, num mês, o país subiu um lugar no ranking dos mais competitivos, mas quando no, mês seguinte, desceu três lugares, tentou-se descredibilizar os dados estatísticos...

Ontem, ao referir-se ao tipo de formato que escolheu para o seu novo programa, Herman José chocou (ou talvez não) o país com uma frase que fez capa no Diário de Notícias - "é o que se pode fazer numa semiditadura".

Em 2005 falava-se em censura, mas talvez os reconhecidos analistas de domigo à noite estejam agora mais contentes com o "Estado" das coisas...

Acabou! A III República contorce-se e retorce-se.


Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

O Fim, Mário de Sá Carneiro

segunda-feira, outubro 09, 2006

histórias de Havana


Foto: www.cinempire.com

No dia em que os cubanos comemoram o 39.º aniversário da morte de Che Guevara, aqui fica a proposta para não perder a última longa-metragem de Andy Garcia - The Lost City (ou Havana - A cidade perdida).

Nascido na cidade Havana em 1956, Andy Garcia estreou um argumento que procura mostrar, sem receios, a verdade dos dois regimes - batistista e fidelista.

O actor, que também realizou o filme, assume o papel de Fico Fellove, dono de um cabaré e filho de um famoso professor universitário, que perde os seus irmãos, de duas maneiras diferentes - um que, ao lutar pela democracia, é executado pelo regime de Fulgencio Batista e outro, comunista, que abandona a mulher, o filho e toda a família pela causa fidelista.

Um interessante retrato da vida cubana em meados do século XX, temperado com um pouco de romance, à boa maneira de Hollywood, e que nos mostra o azar do povo cubano que, ao longo das décadas, tem sofrido com as loucuras dos seus líderes.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Impressão, sol nascente


Claude Monet, 1872
Óleo sobre tela, Musee Marmottan, Paris

segunda-feira, setembro 25, 2006

"diálogo é vital"


Foto: ansa.it

"Asseguro estima e respeito pelo mundo muçulmano. O diálogo islamico-cristão é uma exigência vital." Foram estas as palavras de Bento XVI, proferidas hoje na sua residência de verão, adiantando que "o diálogo é o nosso futuro".

Em Castel Gandolfo, o Papa recebeu os exponentes máximos do Islão em Itália e diplomatas dos países de maioria muçulmana acreditados na Santa Sé, menos o Sudão (que recusou), para "estender a mão" ao mundo islâmico.

No entanto, por mais esforços que o Vaticano faça, será muito difícil demover as minorias fundamentalistas, a quem bastará a mais pequena falha no discurso do Sumo Pontífice para voltar queimar uma igreja ou fazer sofrer mais cristãos.

É importante não esquecer que o necessário é um diálogo de paz e não unicamente um "monólogo", em que só falam os católicos e os muçulmanos que vivem nos países do ocidente, enquanto do outro lado só se ouve vozes de violência.

quarta-feira, setembro 20, 2006

pôr do sol


Foto: AP Photo/ Anupam Nath in uk.news.yahoo.com

Um pescador navega, ao pôr do sol, o tranquilo leito do Brahmaputra, perto de Machghat, na Índia.

Este é um dos maiores rios da Ásia e o seu nome significa, em sânscrito, "filho de Brahma". Navegável em quase toda a sua extensão, desde o Tibete ao Bangladesh, ao atravessar a região de Assam, o Brahmaputra chega a atingir, por diversas vezes, uma largura de 10 quilómetros.

Além de ser já conhecido pelas suas cheias catastróficas, o Brahmaputra é um dos poucos rios do mundo em que é hábito formar-se um fenómeno de alta ondulação, que no Brasil dá pelo nome de pororoca, como tradução do termo inglês tidal bore, e que faz grande sucesso entre os surfistas.

sobre o "green"


Foto: Jeff Haynes / Afp in corriere.it

Uma insólita interrupção da Ryder Cup, no K Club de Co Kildare, na Irlanda: uma lebre irrompeu no green enquanto o norte-americano Phil Mickelson se preparava para defrontar o buraco n.º 6.

"flash Gordon"


Foto: cienciapt.net

Apesar da ansiedade que os telejornais nacionais procuraram causar nos espectadores, na noite de ontem, o furacão Gordon passou tão depressa que quase não deu para notar o seu vôo sobre os Açores.

Não houve danos de monta e somente se registou o derrube de algumas árvores e a queda de um andaime na ilha de Santa Maria. Sabe-se que a depressão extra-tropical está prestes a deixar o arquipélago dos Açores, que já na tarde de hoje assistirá a uma melhoria das condições meteorológicas.

Mais uma vez, ficou provado que quando estamos preparados para alguma ameaça, é difícil sermos surpreendidos. Melhor assim.

a taxa (des)moderadora


Foto: sic.sapo.pt

Há um ano e meio, Pedro Santana Lopes lançava a proposta da criação de taxas moderadoras para determinados serviços de saúde, que atingiriam quem auferisse um rendimento acima de uma certa fasquia. Foi uma ideia criticada por toda a oposição, mas principalmente pelo líder Partido Socialista, que, na altura, salientou ser o serviço nacional de saúde universal e gratuito. Torná-lo pago seria incorrer numa inconstitucionalidade.

Chamaram-lhe mais uma "trapalhada" do governo Santana...

Quem diria que seria um Ministro da Saúde de um governo socialista, isto é Correia de Campos, a impor agora taxas moderadoras para serviços que são gratuitos, de que é exemplo um internamento.

Desta vez, Zita Seabra chama-lhe um "novo imposto" e adianta que um internamento ou uma operação cirúrgica são determinados pelo médico, não tendo os utentes margem de opção. Ou pagam... ou pagam.

Resta-nos saber por que razão, para o PS de 2004, eram as taxas moderadoras da saúde uma trapalhada e hoje são uma decisão acertada...

segunda-feira, setembro 18, 2006

mais perto do mar

Lisboa recebeu, na passada quinta-feira, a sede provisória da Agência Europeia de Segurança Marítima (EMSA), com a presença do Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

As garantias de que o governo português "tudo fará para estar à altura da responsabilidade" de sedear a EMSA vieram do próprio primeiro-ministro José Sócrates que, apesar de chegar atrasado, ainda teve tempo de elogiar os seus dois antecessores que têm agora uma carreira internacional, sem mencionar Pedro Santana Lopes, que também participou no processo da candidatura, como presidente da Câmara de Lisboa e como primeiro-ministro.

Com um orçamento de 44,6 milhões de euros para este ano, o objectivo da EMSA é vir a coordenar uma futura guarda costeira europeia. Passa, por isso, a ser ainda mais relevante o papel de Lisboa e de Portugal na política marítima europeia.

arbitragem polémica

O árbitro João Ferreira que, já envolvido no caso "apito dourado", surpreende pela segunda vez consecutiva um clube "grande". Depois do Benfica, foi a vez do Sporting sofrer com as decisões arbitrárias (ou talvez não) de uma equipa de arbitragem de quatro profissionais que não viram um golo marcado com a mão esquerda de Ronny e dois penalties na área do Paços de Ferreira.

Para a história eternizar-se-á a ensurdecedora imagem com a frase que dá para ler nos lábios de Ricardo: "foi com a mão, João!".

Ficamos assim com mais dúvidas sobre se os erros nas arbitragens dos jogos da Liga portuguesa são sinal de incompetência ou de um serviço muito bem feito... E ainda há quem não entenda por que os árbitros portugueses não são convocados para as competições internacionais.

governo de ZP apoia não alinhados

O Governo espanhol de Zapatero decidiu apoiar os países "não alinhados com os Estados Unidos", ao aceitar participar, com o seu número dois dos Negócios Estrangeiros, na Cumbre Internacional de No Alineados realizada em Cuba.

Na cimeira, que arrancou na passada sexta-feira, o representante espanhol sentou-se ao lado de políticos como Hugo Chávez, Evo Morales, Mahmud Ahmadineyad e o próprio Presidente interino do Estado anfitrião, Raúl Castro, patrocinando a aprovação de uma Declaração Final que condena Israel e o embargo norte-americano a Cuba, além de apoiar os governos do Irão, Venezuela e Bolívia.